segunda-feira, 30 de junho de 2014

domingo, 29 de junho de 2014

Estação No. 16 - Ctrl+C Ctrl+V

Entrevista do pesquisador Paulo Roberto Cimó Queiroz para o site TopMídia News.
A matéria é de Renan Gonzaga.
Copiei toda a entrevista para deixar aqui, por medo que a página saia do ar daqui algum tempo e ela se perca.

O link para a página está aqui.


TopMídia News - Quem foi o engenheiro que alterou o curso da ferrovia que passa por Mato Grosso do Sul?
Paulo Queiroz - Quando a linha começou a ser construída em Bauru, a estrada que ia para Cuiabá, depois de 100 quilômetros, teve seu traçado mudado. Resolveram fazer de Bauru para Corumbá e então tiveram que fazer um novo estudo da rota, aí que contrataram o Emílio Schnoor para fazer o levantamento para esse novo traçado. Foi montada comissão com ele, vários outros engenheiros, geólogos e eles por fim eles vieram a pé percorrendo o mato até chegar em Corumbá, para saber onde seria o melhor lugar para a ferrovia passar. Então, ele é o responsável pelo estudo e pela definição.

TopMídia News - Porque resolveram mudar, ao invés de ir para Cuiabá foram para Corumbá?
Paulo Queiroz - A conclusão que eu cheguei é que foi uma questão política, interesse do Governo Federal. Aqui era fronteira e Cuiabá era uma capital que não representava um problema para o Brasil, mas a fronteira sim. Era considerada problemática porque já tinha sido invadida no tempo da Guerra do Paraguai. Então o acesso que tinha do Rio de Janeiro para Mato Grosso era pelo rio. Passava pelo Rio da Prata, entrava em Buenos Aires e pelo Paraguai para chegar em Corumbá. Se houvesse outro conflito, por exemplo, entre o Brasil e a Argentina, eles iam trancar o rio lá em baixo e o nosso país não teria mais contato com Mato Grosso. Então era uma ferrovia estratégica no sentido político e militar, para garantir um acesso que não dependia de passar por países estrangeiros para ter controle.

TopMídia News - Então a intenção já existia antes?
Paulo Queiroz - A impressão que me deu depois que eu comecei a pesquisa é que eles já tinha essa intenção de vir para o sul do Mato Grosso, para garantir esse contato, e por uma questão de bom relacionamento entre o Presidente da República e o Governador do Estado de Mato Grosso. Eu considero que foi um momento bom da relação entre os governos, para valorizar o estado. Mas logo depois com a mudança de governantes, mudou também o presidente da república e aí prevaleceu aquela orientação que era o que eles queriam mesmo, que a ferrovia passasse aqui no sul para resolver essa questão da fronteira ser considerada problemática. Já tinha havido um caso de invasão e não poderia deixar acontecer outro.

TopMídia News - Quando a ferrovia veio para Mato Grosso do Sul houve resistência de alguma parte?
Paulo Queiroz - Não, mas é claro que na época, como a capital ficava no norte, os dirigentes do estado ficaram decepcionados e reclamaram. Eu nunca vi nada contra, mas eles reclamavam no sentido que Mato Grosso era grande, e sul estava recebendo uma ferrovia, a região noroeste também, que era Rondônia. Então eles foram muito contra no sentido de fazer reclamações, uma queixa, porque a capital do estado havia sido deixada de lado. Duas ferrovias passando pelo estado ao mesmo tempo e a capital sem nenhuma.

TopMídia News - A ferrovia contribuiu para a divisão do Estado?
Paulo Queiroz - Certamente. Porque no final do século 19 até o começo do século 20 a ferrovia era mesmo o maior símbolo de modernidade, de progresso e de civilização. Então uma região que contava com a ferrovia era considerada civilizada e superior. E quando ela chegou ao sul de Mato Grosso e não chegou na capital, que era Cuiabá, permitiu que as lideranças do sul pudessem “bater no peito” e dizer que o progresso estava conosco, que nós eramos os civilizados. A ferrovia permitiu que as lideranças do sul, principalmente Campo Grande, se beneficiassem.

TopMídia News - Campo Grande cresceu mais que as outras cidades em termos de tempo?
Paulo Queiroz - Sim, Campo Grande deu um salto com a chegada da ferrovia. Uma boa parte dos efeitos positivos da estrada ficaram concentrados em Campo Grande.

TopMídia News - Com suas pesquisas feitas que terminaram em dois livros lançados, o que o senhor descobriu que hoje não é descrito na história?
Paulo Queiroz - Talvez uma coisa que pode ser destacada foram as condições de trabalho muito difíceis. É fácil esquecer como isso foi feito, mas na época da construção houve uma perda muito grande de vidas e trabalhadores. Quando se fala em dificuldades de construção e conflitos com índios, as pessoas tendem a achar que tudo aconteceu do lado de Mato Grosso, mas na realidade foi do lado de São Paulo. Vinda de Bauru, logo depois a ferrovia entrava em um território indígena. Aquela região onde hoje é Birigui e Araçatuba foi de muitos conflitos com os índios, tanto que a construção chegou a ficar parada vários meses e chamaram o Rondon para ele tentar pacificar a situação com os índios e poder continuar a obra. Enquanto isso muita gente morreu, tanto do lado dos índios quanto do lado da ferrovia, até os engenheiros.

TopMídia News - E do lado de Mato Grosso do Sul?
Paulo Queiroz - Do lado de Mato Grosso do Sul não houve conflitos com índio. Ao contrário, houve casos dos Ternas ajudarem na construção, principalmente quando faltava trabalhador. No caso do pantanal, o trabalho era penoso porque eles construíram aterros sem máquinas. A ferrovia tem um aterro muito alto para poder ficar acima das enchentes, e quando aquilo foi construído, tiraram terra do lado para jogar ali e só tinham carrinho de mão e pá. Não tinha escavadeira e niveladoras porque era em 1908. Então foi um trabalho muito penoso, que muita gente morreu.

TopMídia News - O senhor possui dois livros lançados sobre a ferrovia. Qual é a diferença entre eles?
Paulo Queiroz - O primeiro foi publicado em 97 e segundo em 2004. No primeiro eu discuti só os motivos da mudança de Bauru para Corumbá, porque apressaram a construção que começou nas duas pontas, que eram Bauru e Porto Esperança. Quando o trem chegou aqui ele estava vindo de Porto Esperança, foi aqui em Campo Grande a estação de ligação, indo para Três Lagoas. Então foi tratado esse processo de mudança do traçado, porque decidiram depois de 30 anos do final da Guerra do Paraguai fazer a obra. No segundo livro eu tentei fazer uma análise do desempenho econômico e financeiro da estrada, o que ela deu de lucro e de prejuízo.

TopMídia News - Na época ela deu mais lucro ou prejuízo?
Paulo Queiroz - Na verdade começpu como uma empresa privada, mas em 1918 virou federal. O nosso trecho de Mato Grosso do Sul nunca foi privado, quando eles mudaram o traçado para Corumbá, eles separaram em duas partes que eram de Bauru até a divisa, e da divisa pra cá. E essa parte de cá desde o começo foi estatal, por isso ela não buscava o lucro apesar de haver a preocupação de não ser deficitária. Então, na maior parte do tempo ela praticamente empatou, e no final do período que eu estudei, que foi na década de 50, ela tinha um movimento bem grande, inclusive no Estado de Mato Grosso, que começou na década de 20 e 30. Em termos de balanço, ficou bastante equilibrado.

TopMídia News - O que levou o fim da ferrovia?
Paulo Queiroz - É um conjunto muito grande de fatores. Falam de uma teria de que as petroleiras com as indústria automobilísticas fizeram uma conspiração para prejudicar as ferrovias e favorecer o transporte auto-motor, mas isso não existe. O fato concreto é que o transporte rodoviário foi se desenvolvendo, o automóvel foi barateando e se tornando mais acessível. Muitas regiões que não eram atendidas pelas ferrovias poderiam ser atendidas facilmente pelos caminhões, então de uma maneira quase que “natural” os veículos foram ocupando o espaço que as ferrovias não tinham como suprir.


sábado, 28 de junho de 2014

Estação No. 15 - Indubrasil

Hoje, ganhei um presente muito especial.

Estar na estação Indubrasil. Fui a convite de pessoas com outros objetivos, mas caiu como uma luva pra mim.

E ainda que por poucas horas, foi como se o passado em parte se materializasse à minha volta. Fiquei encantado! Quantas histórias aquele lugar teria para me contar?
Não faço a mínima ideia.

E talvez o jeito, seja voltar lá para descobrir...

(ao som de How, da Regina Spektor)

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Estação No. 14 - Acerto Na Mosca, SQÑ.

Visitando um amigo, tive duas surpresas.
A primeira, foi descobrir que ele escrevia. Uns textos, diversos assuntos presentes na vida de todos. Pensando um pouco, nada mais natural para alguém que gosta de ler. Mas sinceramente, eu nunca havia pensado nisto.

E a segunda, a que me surpreendeu mais: ele pega uma caneta, escreve e fim. Está pronto.

Meu Deus! Algo quase inimaginável para alguém que precisa de milhares de idas e vindas antes de chegar ao fim. Minha vida certamente seria muito mais complicada se rascunhos não existissem. Escrevo. Risco a metade e reescrevo. Risco de novo. E reescrevo de novo. E troco tudo de lugar. Puxando setas pra lá e pra cá, porque é mais fácil. E começo a colocar números pra ordenar parágrafos. Porque eles nunca estarão já na melhor ordem. E umas 50 palavras ganharão uns 3 sinônimos cada uma, para depois eu escolher o que usar.
Enfim, um caos...

Os posts aqui, que vocês leem em 1 ou 2 minutos... Sem imaginar o quanto de tempo levei pra escrever. 
Não sou desses que acerta de primeira. Aliás, várias vezes, nem de segunda, terceira, quarta... Não apenas em textos, em outras coisas também.

E pra quem acha que paciência é uma qualidade minha, sinto desapontar. Mas na verdade é uma necessidade!

(ao som de What Would You Say, do Tiago Iorc)

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Estação No. 13 - ... E O Dia Da Tormenta

Uma típica quinta-feira.

Trabalhar.
Correr pro sapateado.
Voar pro estúdio.
Aula de contemporâneo.
Ensaiar.
Chegar vivo no fim do dia.
Sorrir sempre.

E no meio de tudo, comer quando der.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Estação No. 12 - A Noite Calma ...

"Ao cortar o então Estado de Mato Grosso, desbravando regiões pouco acessíveis no início do século XX, o antigo trem da Noroeste do Brasil foi, por muitas décadas, fator importante de integração regional."

Segue a leitura.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Estação No. 11 - Rumos Refeitos

O conhecimento em si, não tem valor nenhum.
Mas o uso que você faz do seu conhecimento, este sim é que tem valor.

Uso este pequeno ensinamento para marcar que hoje consegui alguns livros para ler. Livros que no momento não sei exatamente para que servirão, mas que mais à frente estou certo que farão diferença.

Mas sinto que ainda não estou no embalo que eu gostaria de estar... Ou deveria... Não sei. Apenas acho que poderia estar mais acelerado. 
Esta é uma daquelas horas em que se suprime os desejos para agir com a razão.
Devo estar ansioso. Melhor controlar isso e não tentar correr mais, pois talvez nem seja necessário (ainda!). Deixar as coisas correrem naturalmente, e aproveitar a calmaria. Ela vai se acabar aos poucos, com certeza.

Só isso. Calma!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Estação No. 10 - Uhu, Brasil!

Fim de jogo!
Brasil, primeiro lugar no grupo.
Oque eu achei?

Nada!
Estava aqui entre textos e vídeos.

Daqui a pouco, hora de sair.
Pra comemorar?

Não, pra ensaiar...

Mas tudo bem!
Está tudo em seus devidos trilhos.

domingo, 22 de junho de 2014

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Estação No. 8 - Tem Dias....

Quando dá tudo errado, não por sua causa e você quer matar todo mundo:

Cumprir seu horário de trabalho, sair correndo para conseguir chegar antes de fechar, passar na PIOR xerox do mundo com o PIOR atendimento do universo, chegar no estabelecimento e encontrar ele FECHADO.

Porque você se atrasou?
NÃO!!
Porque ontem foi feriado e eles resolveram emendar!!
O MUNDO INTEIRO FUNCIONANDO E SÓ A #$%@$&)*?> DA REPARTIÇÃO PÚBLICA QUE NÃO.

Ah, vtnc!!

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Estação No. 7 - Sem Folga

Ainda que não seja dia de ensaio, não quer dizer que não há nada a ser feito.
Aproveitar o tempo para se aprofundar no assunto é tão importante ou talvez mais até que o próprio ensaio.
Dia de estudar, pesquisar e refletir...

Tempo aliás, que se faz minha maior preocupação. 
Na escassez que enxergo, já entrei num acordo comigo mesmo: de aceitar trabalhar 7 dias por semana... Não por heroísmo, nem pra mostrar ou provar nada pra ninguém. Mas porque se não for assim, não ficarei em paz.
De não esperar por reconhecimento porque trata-se de interesses meus e vontade minha.

Simples assim. Estou apenas agindo de acordo com aquilo que acredito.
E oque eu acredito é que estudar é muito necessário para se dançar melhor.

(Ouvindo: Blue Prelude, da Nina Simone)

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Estação No. 6 - Desordem

Desordem não é do meu agrado.
E acho que não é do agrado de ninguém levar balde de água fria, preparando-se para uma função e ter que desempenhar outra.

Mas acima de tudo, saber colocar-se no seu devido lugar e desempenhar seu papel. Lembrar que deve fazer o que for necessário.

Faço.
Insatisfeito, mas faço.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Estação No. 5 - A Saudade

No último sábado, começamos a trabalhar um sentimento-base, a saudade.

Justamente no sábado.
Uma coincidência que foi deveras perturbadora pra mim.
Não queria pensar no que havia acontecido. Tentei o tempo todo encontrar um outro caminho, mas não consegui. Acho que morri na praia...

Não quis usar o fato para trazer o sentimento, porque não estava achando isso correto. Além do que, é quase certo que eu perderia o controle se entrasse nele... Difícil segurar, mas não queria isso naquele dia.
Tudo estava muito confuso ainda. Preferi o contido ao descontrolado.

Lágrimas rolaram, mas não as minhas... Os motivos eu desconheço.
As minhas foram conscientemente represadas. Só achei que era melhor assim. Melhor pra mim. Melhor naquele momento.

Mas pude ver que temos em nós aquilo que é necessário. Que eu tenho em mim o que é preciso e que comecei a descobrir o que seria.
E pude então, me sentir bem. Pelo menos com isso.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Estação No. 4 - Adeus

Meu olhar ainda procura por você nos lugares em que você costumava estar. Minha cabeça ainda acha e meu coração ainda sente que você está aqui.
Mas minha razão logo me lembra o que aconteceu.
E maior que tristeza, sinto um vazio, um nada. Uma certa incompreensão da realidade, de que tudo se mostrará um engano, como se o aqui fosse irreal e eu fosse acordar, voltar pra onde tudo continua como sempre foi...

Mas isto não vai acontecer.
O fato é que eu perdi você.
E seguir uma vida em que tantas coisas que eram nossas já não existem mais tem sido incompleta.

Falta te ver de manhã antes de ir trabalhar.
E de noite antes de ir dormir.
Falta você se esfregando em mim.
Falta o afago que você queria sempre que eu chegava.
Falta você atrapalhando o caminho.
E assustando pessoas que passavam na rua.

Falta o meu sorriso ao te encontrar...
Falta você, meu amigo!
Meu amiguinho.
Já fazem cinco dias, mas só agora acho que tenho consciência e equilíbrio o suficiente pra falar sobre isso.

Você se foi na sexta-feira, no dia em que eu viajei e isso só aumenta o que sinto... Eu percebi que havia algo diferente naquela manhã mas não consegui enxergar de fato o que significava.
Tenho a certeza absoluta de que você sabia e fico me perguntando porque não fui capaz de ter esta mesma certeza... Me perdoe!

Passei estes últimos meses sabendo que este dia chegaria.
E quando retornei no sábado, foi um estranho misto de tristeza mas também de alívio.
Sua doença não tinha cura. Os remédios eram só pra diminuir seu desconforto.
E eu passei a te chamar de "meu anjo"... talvez numa alusão ao que estava por vir...

Meu anjinho, todos nós fizemos o melhor que pudemos e eu só espero que você tenha se sentido amado, especialmente neste período difícil que a vida te trouxe.

Eu ainda vou sentir muito sua falta. Mas sempre agradecendo por ter tido você na minha vida.
Adeus, Tevez.
Meu amigo, meu anjo, meu cão.

domingo, 1 de junho de 2014

Estação No. 3 - Estático

Fico pensando numa postagem que houve esta semana onde nosso diretor corporal já anuncia o espetáculo.

Confesso uma certa insegurança.

Mas assim como não é totalmente claro aquilo que está por vir (nunca é!) é perfeitamente nítido oque preciso fazer... Confiar e me comprometer.
Tenho que me comprometer muito mais com tudo. Me comprometer física e cenicamente com este trabalho.

Sei como dar o próximo passo.
Amanhã mesmo.